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O setor brasileiro de energia solar fotovoltaica tem conquistado alguns importantes avanços, mas ainda espera condições mais favoráveis para um desenvolvimento pleno.

Recentemente, o Brasil atingiu a nova marca de 350 megawatts (MW) de potência instalada em sistemas de microgeração e minigeração distribuída solar.

Apesar de considerar um feito importante, o CEO da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, enxerga potencial para um crescimento ainda maior.

 Energia Solar: A Procura Cresce No Brasil 15 de março de 2020

“Nosso país tem pouco menos de 40 mil sistemas de pequeno porte. Enquanto isso, existem países que já passaram a barreira de 1 milhão e outros estão chegando a marca de 2 milhões”, afirmou. Ele também cita que o Brasil está começando a fabricar equipamentos fotovoltaicos, mas que as empresas precisam de maior incentivo.

“Ainda existe uma carga tributária elevada e injusta sobre os insumos produtivos”, revela. Sauaia também falou sobre como o setor vai tratar a questão ambiental e a sustentabilidade. “O setor tem um programa internacional de reciclagem, que demonstra que é possível reciclar 96% dos componentes de um equipamento fotovoltaico”, respondeu ao ser questionado sobre o destino dos módulos após o fim da vida útil.

O que tem ajudado no crescimento da solar no Brasil?

São alguns os fatores principais que permitiram o Brasil atingir esta marca de 350 MW. O primeiro deles está relacionado ao preço da energia solar fotovoltaica. Na última década, a tecnologia se tornou 80% mais barata. Isso é um grande ganho de competitividade, o que fez que a fonte se tornasse mais acessível para a população, empresas e governos.

O segundo fator importante foi o aumento da tarifa de energia elétrica, que tem aumentado significativamente e pesado no bolso da população, a taxas bastantes superiores a inflação. Para se ter ideia, no ano passado, a inflação média foi de 2,95% ao ano, enquanto a energia elétrica aumentou 10% no ano. Em 2018, os especialistas projetam que o reajuste da energia elétrica vai ser entre 10% e 15%, em média. Em alguns estados, esse reajuste é ainda maior. Minas Gerais teve um acréscimo de 25% de reajuste neste ano. Tudo isso pressiona os consumidores a buscarem alternativas e formas de economizar.

Qual o papel dos consumidores domésticos na expansão da solar? Eles tem liderado esse crescimento?

Se pelo número de unidades consumidoras quem tem liderado é o segmento que chamamos de residencial, por outro lado, quando olhamos para o volume de investimento e potência instalada, o primeiro lugar é das empresas de comércio e prestação de serviços, que representam quase 44% de todos os investimentos e potência instalada. Esses dois segmentos [comercial e residencial] juntos, assim como o de micro e pequenas indústrias, são aqueles que pagam a energia elétrica mais cara do Brasil. E, portanto, devem continuar liderando o uso da energia solar fotovoltaica.

O pequeno produtor rural também aparece nessa lista, mas ele tem algumas características um pouco diferentes. Normalmente, a energia no meio rural tem um valor mais baixo. Outros fatores, além do econômico, levam o produtor a se preocupar bastante com a geração da sua própria energia. Muitas vezes, para levar energia a uma região onde não há acesso de eletricidade, eles podem usar a solar fotovoltaica para maior estabilidade no suprimento de energia.