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As cidades da Zona da Mata sentem os impactos econômicos das fortes chuvas que castigaram o Estado de Minas Gerais nos últimos dias.

Embora as más condições das estradas têm prejudicado o recebimento de insumos e o escoamento da produção das propriedades rurais, que enfrentam, ainda, perdas nas plantações por conta do grande volume de águas.

Conforme a redução da oferta já desencadeou alta de preços de até 40% nos hortifrútis. Outro impacto dos temporais ocorreu na indústria, pois entre as localidades mais atingidas estão municípios que integram o polo moveleiro de Ubá.

Zona Da Mata Sente Impactos Econômicos Após Chuvas 05 de março de 2020

Prejuízo financeiro

Já no comércio, há quem decidiu fechar as portas temporariamente, por motivos como falta de demanda ou invasão das águas. O prejuízo financeiro de ambos os setores ainda não foi contabilizado, mas as entidades representativas confirmam a gravidade da situação e se mobilizam para ajudar na recuperação dos locais afetados.

Na madrugada de quarta-feira (29), uma cratera se abriu no km 21 da rodovia MG-133, entretanto Coronel Pacheco e Tabuleiro, após o asfalto ceder por conta das chuvas.

Acidentes

Assim sendo situação provocou um grave acidente em que uma mulher de 37 anos morreu e outras seis pessoas ficaram feridas. Desde então, o trecho está interditado. Desta forma, os moradores das cidades pertencentes às microrregiões de Ubá, Viçosa e Ponte Nova, que precisam se deslocar até Juiz de Fora. Embora devem seguir pela MG-353, no percurso por Zona da mata Piraúba, passando por Guarani, Rio Novo e Goianá até Coronel Pacheco, onde retomam o trajeto normal.

Sem previsão de quando o trecho da MG-133 será recuperado e com o agravante de outras áreas também terem sido atingidas pelas chuvas, as propriedades rurais da Zona da Mata tiveram impactos na produção.

“A Zona Rural de Juiz de Fora está com dificuldade para o escoamento dos produtos e o recebimento de insumos”, informou o presidente do Sindicato Rural, Domingos Frederico Netto. Segundo ele, parte dos produtos consumidos pelos juiz-foranos vem de cidades da região que foram atingidas pelas chuvas.

Na Zona Rural de Guarani, a maior preocupação é com a produção leiteira, estimada em 70 mil litros por dia. A cidade, Zona da mata que decretou estado de emergência, teve várias estradas vicinais destruídas pelas enchentes, o que tem prejudicado o escoamento da produção.
“Estamos tentando minimizar os impactos trabalhando para desobstruir estas vias o mais rápido possível, pois o leite é perecível. A produção chega a R$ 100 mil por dia, e esta perda prejudica muito os nossos produtores”, afirmou o prefeito Paulo Neves (PV).

Preços

Neste mês, alguns produtos já tiveram alta de até 40% na Central de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasa), como é o caso do tomate. “Algumas produções sofrem muito com o período chuvoso, como as verduras de folha e hortaliças fruto, como abobrinha, beringela, pepino e o próprio tomate, que são mais sensíveis ao tempo.

Este ano estamos enfrentando um janeiro atípico, com um volume muito grande de chuvas”, explicou o coordenador de informações de mercado da Ceasa, Ricardo Fernandes Martins.

Ele destaca, ainda, os impactos das chuvas no transporte, o que também reflete no aumento de custos. “A situação está complicadíssima. As más condições das estradas dificultam fazer a colheita e levar os produtos até o mercado. Esperamos que o tempo melhore para que a situação seja regularizada.” Segundo Ricardo, além do tomate. Tiveram alta de preços o chuchu (20%), a couve-flor (23%) e a beringela (15%).

A comparação de preços foi feita entre os períodos de 16 a 19 de janeiro e 23 a 26 do mesmo mês e refere-se ao comportamento destes alimentos no estado.

Hortifruitigranjeiros

Os efeitos já são percebidos pelos juiz-foranos. Dono de uma loja de hortifrutigranjeiros no Mercado Municipal, Carlyle Francisco Lopes Barros tem a rotina de adquirir produtos na unidade local da Ceasa. “Hoje, para você comprar, tem que chegar mais cedo e pagar mais caro”, relata.

“As cidades que mais produzem mercadoria para Juiz de Fora são Barbacena, Tocantins e Piau. Assim depois da cratera (na MG-133), os caminhões têm que andar muitos quilômetros a mais, o que também influencia no preço do produto.”

Portanto os reflexos chegam ao bolso do consumidor. Produtos como tomate, abobrinha, chuchu e jiló estão até 40% mais caros. “O consumidor que levava dois quilos de tomate, agora leva um”, relata Carlyle. “A gente tenta contornar a alta de preços equilibrando os valores de outros produtos e negociando com os produtores.”